Volkswagen SP2

Volkswagen SP2

Nos anos 70, o mercado brasileiro estava fechado a importações, a oferta em automóveis desportivos resumia-se ao Karmann Ghia e alguns (poucos) construtores independentes, como a Puma. Em Junho de 1972, chegava à produção o Volkswagen SP2, com formas arredondadas que encantaram o mundo e se tornaram clássicas.

Criado em São Bernardo do Campo, o primeiro carro da Volkswagen totalmente projectado no Brasil, foi desenhado por Senor Schiemann e apresentado como protótipo na Feira da Indústria Alemã, em Março de 1971. A sigla “SP” homenageia o Estado de São Paulo, o número “2” indica a segunda versão do SP, mais potente e veloz que o SP1 (1600 cc e 65 cavalos), lançado na mesma época e cuja produção foi diminuta (80 unidades). O carro apresenta detalhes estéticos exclusivos e um conjunto mecânico bem afinado. Não é à toa que a revista alemã Hobby o considera «O VW mais bonito do mundo», naquela época.

Quatro faróis na frente, acompanham o padrão da carrinha Variant, com origem no modelo europeu VW 412 Type 4 (1968-1974). O pára-choques de borracha com piscas integrados, contorna a carroçaria em conjunto com os frisos laterais.

Na traseira, chama a atenção o revestimento cromado do escape, as ópticas esguias e o farolim de marcha-atrás colocado abaixo do pára-choques. Os pneus radiais 185/70, montados em jantes de 14 polegadas, completam o visual sport.

No interior, os bancos em couro com encosto de cabeça e bom apoio lateral, confirmam tratar-se de um legítimo GT. No quadro de instrumentos, o velocímetro e o conta rotações são bem visíveis, logo atrás do volante de três raios. Na consola central, os quatro mostradores voltados para o condutor, inspiram-se nos modelos europeus. Detalhe interessante é a haste de accionamento dos limpa pára-brisas, a primeira a aparecer num carro brasileiro. O requinte do SP2 também está presente nas alavancas da caixa e do travão de mão, revestidas a madeira de Jacarandá.

Para o condutor, sentado a apenas 15 centímetros do chão, é um prazer acelerar o motor 1.7 de quatro cilindros opostos (colocado atrás), que gera 75 cavalos às 5.000 rpm. De acordo com dados do fabricante, 13 segundos são suficientes para atingir os 100 km/h. Chega aos 160 km/h de velocidade máxima e consome algo como 10 litros/100km de gasolina. O ronco forte denuncia a dupla carburação e o sistema de travagem, com discos à frente, é capaz de conter o ímpeto desportivo do SP2.

Na esperança de ampliar o pequeno volume de vendas e ultrapassar um dos maiores problemas do carro, a falta de potência (havia na época uma piada maldosa, dizia que a sigla “SP” significava “Sem Potência”), estava em projecto o SP3, com motor colocado em posição dianteira e refrigerado a água, emprestado do Passat TS, um 1.8 litros com 100 cavalos às 6.000 rpm, capaz de atingir os 180 km/h. No entanto, não passou da fase de protótipo, o alto custo de produção sobrepôs-se à paixão dos admiradores.

Até Fevereiro de 1976 foram produzidos 10.205 exemplares, dos quais 681 foram exportados para a Europa.

Texto: Vítor Penedo
Fonte: Carsale

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