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    :: Lancia Stratos Stradalle

29/04/2003    

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    :: Dados Técnicos

Construtor Lancia
Modelo Stratos Stradalle
Ano 1974
País de Origem Itália

    :: Motor

Tipo V6
Colocação Transversal, central traseira
Cilindrada (cc) 2418
Alimentação Três carburadores invertidos Weber 40 DFC14 duplo corpo; ignição Marelli transistorizada
Distribuição 2 válvulas por cilindro
Potência máxima (CV/rpm) 190/7000
Binário máximo (Nm/rpm) NA
Combustível Gasolina

    :: Prestações

Velocidade máxima (km/h) 230
0-100 km/h (s) 6.8

    :: Transmissão

Tracção Traseira
Caixa Manual, 5 velocidades

    :: Plataforma

Suspensão dianteira Braços transversais inferiores e superiores, molas helicoidais e estabilizadores transversais
Suspensão traseira Sistema MacPherson, molas helicoidais e estabilizadores transversais
Travões frente/trás Discos Girling ventilados às 4 rodas com duplo circuito
Jantes-Pneus frente/trás NA

    :: Dimensões

Comprimento (mm) 3710
Largura (mm) 1750
Altura (mm) 1110
Distância entre eixos (mm) 2180
Peso (kg) 980

    :: Comentários

A obra-prima do estúdio Bertone para os ralis veio da inspiração de um carro futurista, a ponto de ainda hoje impressionar pelo arrojo, apresentado no Salão de Turim de 1970. O Bertone Stratos parecia ter saído de um filme de ficção cientifica. Os seus dois ocupantes ficavam quase deitados e a porta de acesso era a própria armação do pára-brisas, ou seja, não havia portas laterais.

Dessas linhas de carro futurista nasceu um vencedor das piores estradas, fossem de terra, neve, lama: o Lancia Stratos, que teria acrescentado ao nome, mais tarde, a denominação HF. O chassis era da Bertone, e o motor da Lancia, herdado do Fulvia, ocupando a posição central.

Nesta década a Lancia já pertencia ao grupo Fiat e o motor, originalmente envenenado para obter 160 cv, foi trocado depois por um V6 de duplo comando de válvulas originário do Ferrari Dino. Este motor no Lancia rendia mais pelo facto de o Stratos ser 200 kg mais leve que o Dino. O Stratos deu início a uma estirpe de carros de rali, como o Audi Quattro, Peugeot 205 T16 e mais tarde, da mesma fábrica, o Lancia Delta S4.

Projectado para substituir o Lancia Fulvia nas pistas, o Stratos não só cumpriu o seu objectivo como também superou o antecessor e foi um grande campeão.

Viu a luz do dia em 1971 mas só entrou em produção em série, para homologação na FIA, em 1974. Era um pré-requisito para correr na categoria Grupo IV. Foram fabricados 500 exemplares em versão de estrada, mas fez a sua estreia em competição antes.

As suas vendas ao público não foram boas. Até 1978 as versões Stradalle que não foram vendidas, podiam ser vistas no pátio da fábrica Bertone, em Grugliasco. Não alcançaram sucesso comercial por causa de restrições de segurança em alguns países europeus (crash-test duvidosos, de pouca conclusão, e vidro traseiro no formato de persianas). O interior era muito quente e barulhento, o porta-bagagens pequeno e os vidros das portas eram de correr. Estes detalhes tornavam o Stratos desconfortável para uma utilização no dia-a-dia.

O pára-brisas era bastante inclinado, largo, grande e envolvente, em semicírculo, com uma só escova. Apesar disso, a visibilidade frontal era óptima, a lateral razoável e a traseira bastante precária. A carroçaria, de óptima aerodinâmica, vinha dividida em três peças: dois capôs imensos, dianteiro e traseiro, em poliéster. O acesso ao motor era óptimo, graças ao enorme ângulo de abertura. As portas eram muito grossas e por dentro tinham um espaço reservado para os capacetes. Esta carroceria misturava chapas de aço, que faziam parte do chassis, e fibra de vidro (frente, portas e capô traseiro). Do desenho do papel ao modelo de série, o carro foi muito pouco modificado. O seu estilo era inconfundível, próprio. Um carro muito bonito, com desenho muito avançado para a época.

Os faróis escamoteáveis sobre o capô contavam com a ajuda de mais dois de longo alcance ladeando a grelha. Algumas versões de rali vinham equipadas com mais quatro redondos, enormes. Na traseira os faróis eram redondas e amplos. No tecto, um pequeno spoiler canalizava o ar sobre o capô do motor e para o spoiler traseiro, garantindo mais estabilidade.

A direcção era muito rápida e os travões a disco ventilados provinham da famosa marca Girling, na época fornecedor da Fórmula 1. O famoso fabricante italiano Campagnolo fornecia as rodas de liga de alumínio forjado, em várias medidas de largura. Usava pneus Pirelli Cinturato CN36 ou Michelin XWX. Existiam dois depósitos de combustível centrais, com capacidade de cerca de 85 litros. O consumo da fera rondava os 14 litros quando conduzido com calma.

Em competição era um monstro sagrado da célebre escuderia italiana, chefiada por Cesare Fiorio. Com uma distância entre eixos reduzida, o Stratos era excelente em curvas fechadas, o rei do baile quando a aderência era mínima. Gostava de neve, terra, areia e lama. Hoje em dia, não ficaria atrás dos carros da categoria WRC. É certo que estes são mais rápidos, mas sem o mesmo charme e maneabilidade.

Poderia surpreender em curvas fechadas mesmo pilotos talentosos. Tinha as suas manhas. Mas em rectas e curvas longas e abertas asfaltadas era uma desilusão, apresentando problemas de estabilidade direccional.

De 1973 a 1977, foi um carro quase imbatível nos ralis. A pequena distância entre eixos e o motor V6 davam ao Lancia extrema agilidade.

Texto: Vítor Penedo
Fonte: Internet

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